Em seu desespero amoroso, Olivia Rodrigo assina o álbum mais luminoso de sua carreira
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June 15, 2026
Era um dos álbuns mais aguardados do ano. Três anos depois do lançamento do inesquecível Guts, que catapultou Olivia Rodrigo para uma esfera musical completamente diferente. Ex-criança prodígio das fileiras da Disney (revelada pela série spin-off dos filmes High School Musical), ela havia se tornado pop star graças à viralização de seu primeiro single, "drivers license", número 1 do top da Billboard por oito semanas seguidas. Com seu primeiro álbum, Sour, lançado alguns meses depois, ela se impôs como uma nova voz incontornável da pop, tão inspirada por uma compositora como Taylor Swift quanto pelas lendas do rock americano, entre elas Jack White. Desde então, seguiu firmando sua marca com Guts, um segundo álbum que lhe permitiu encabeçar um festival como o Glastonbury, a ponto de convidar ao palco o inglês Robert Smith (líder do The Cure) para reinterpretar as cultuadíssimas "Friday, I'm in Love" e "Just like Heaven". O suficiente para fazer prever uma virada artística em sua nova era musical com you seem pretty sad for a girl so in love, um terceiro trabalho que funciona como uma nova etapa rumo a uma pop decididamente mais vintage e reflexiva, com arranjos orquestrais impecáveis, pensados com a colaboração de seu produtor de sempre, Dan Nigro. Olivia Rodrigo, uma americana em Londres Entrevistada pela jornalista Amel Mukhtar para a British Vogue (da qual foi capa em abril), Olivia Rodrigo havia se aberto sobre seu amor pela cultura britânica, largamente alimentado por seu relacionamento com o ator inglês Louis Partridge (que ela conheceu na franquia Enola Holmes, da Netflix). "Ela se diz anglófila", escreve Mukhtar. "Adoro tudo que diz respeito à Inglaterra, à cultura inglesa e aos ingleses… Gostaria de me instalar aqui em meio período um dia desses", confirma a estrela. Se, então, foi possível acreditar em um novo álbum nutrido pelo rock britânico do The Cure, you seem pretty sad for a girl so in love é, na verdade, profundamente americano em sua identidade, tanto sonora quanto textual. Talvez seja, aliás, fantasiando sobre a cidade natal do ser amado, em "purple" ("And it's crazy / How I used to visit your town like a tourist / Now I got / A local grocery store and a favorite florist"), que Olivia Rodrigo se mostra mais americana do que jamais foi. À maneira de uma Sofia Coppola em Tóquio em Encontros e Desencontros, a cantora se perde, em todos os sentidos do termo, por terras estrangeiras onde nem mesmo o amor é capaz de salvá-la. Antes do lançamento do álbum, Amel Mukhtar explicava para a British Vogue que as canções de you seem pretty sad for a girl so in love eram "canções de amor, mas que tratam mais precisamente da obsessão e da angústia ligadas a ele — ou da depressão que se instala quando o ser amado não está presente". E Olivia Rodrigo acrescentava: "São 'canções de amor tristes'. Percebi que todas as minhas canções de amor românticas preferidas eram bonitas porque traziam uma pitada de medo ou de nostalgia." E é justamente aí que mora todo o êxito do trabalho, que consegue, em um mesmo movimento, traduzir toda a loucura que o amor inspira na jovem. A prova está na excelente faixa "maggots for brain", uma espécie de canção nostálgica que lembra tanto "Friday I'm in Love", do The Cure, quanto "Dancing With Myself", de Billy Idol, como observa Molly Mary O'Brien para a Pitchfork. O suficiente para casar as inspirações da artista, que sempre afirmou adorar rock, com sua pop bem mais contemporânea, numa fusão particularmente bem-sucedida. Selecionar uma imagem A montanha-russa do sentimento amoroso "O amor é constrangedor", cantava Olivia Rodrigo em seu trabalho anterior, Guts, lançado em 2023. Três anos depois, a pop star parece ter mudado de ideia, ou ao menos assumir a vergonha do sentimento amoroso. Com you seem pretty sad for a girl so in love, a artista explora os altos muito altos e os baixos muito baixos de sua história de amor com o ator Louis Partridge (embora sua identidade nunca seja revelada, as pistas deixam pouca margem para dúvida). Nesse sentido, o álbum é concebido em duas partes: uma onda de adrenalina poderosa, que sobe em flecha ao longo das seis primeiras faixas, com belíssimos momentos de euforia (a já citada "maggots for brain" ou a genial "stupid song", terceiro single do álbum). Vem em seguida a agridoce "purple", com seus sintetizadores lacrimosos, como o início da descida ao inferno ("Melt with you 'til it all turns black / Are we so in love? Are we too attached? / Melt with you 'til it all turns black / When you smooth it out, but it feels too flat", entoa Rodrigo nos instantes finais da faixa). As seis últimas canções de you seem pretty sad for a girl so in love se impõem, então, como baladas folk às quais a artista já nos acostumou. Desta vez, ela as utiliza como espaços de errância, em busca de um novo sentido a dar à vida agora que o amor pelo qual tanto se dedicou se dissipa lentamente. O que não a impede de oferecer novos momentos de êxtase, como a soberba "expectations", reinvenção dos sucessos pop dos anos 1980, na qual a americana saboreia o gosto da liberdade recém-reconquistada. Produzido em parceria com seu produtor de longa data, Dan Nigro, Olivia Rodrigo consegue, com you seem pretty sad for a girl so in love, introduzir novas sonoridades em seu universo musical, já tão marcado. De seu folk cristalino à new wave modernizada (sem, contudo, abrir mão de uma participação de Robert Smith em "what's wrong with me"), este terceiro trabalho continua a explorar temas que constituem o DNA Rodrigo (entre eles, em primeiro lugar, o amor contrariado), ao mesmo tempo em que se permite uma leveza raramente vista na cantora. Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? 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