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"Sete Minutos", ou o teatro como o último lugar onde ainda se presta atenção

Vogue | Moda, Beleza, Desfiles, Lifestyle e Celebridades [Unoff… June 13, 2026
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Um ator veterano abandona o palco no meio de uma apresentação de Macbeth, sem paciência para o celular que toca, a tosse insistente e a conversa paralela na plateia. A partir daí, a cena se transfere para o camarim, e é ali que Sete Minutos – Uma Comédia no Tempo Certo se arma de verdade. Antonio Fagundes mantém o espetáculo em cartaz no Teatro Cultura Artística até 1º de agosto. O texto não é de agora, e parte do interesse está aí. Fagundes escreveu a peça e a interpretou em 2002, então sob direção de Bibi Ferreira, numa temporada que ficou mais de um ano naquele mesmo teatro. Agora ele troca de lugar e dirige pela primeira vez um espetáculo da própria autoria. No palco, Norival Rizzo assume o papel do veterano, ao lado de Conrado Sardinha como o ator em início de carreira, Natália Beukers como a empresária, Walter Breda e Ana Andreatta como representantes da plateia, e Fábio Esposito no papel do policial chamado para apaziguar a confusão. Rizzo conduz o protagonista com graça. Ele não é um homem que perdeu o bonde do próprio tempo, é alguém que dedicou a vida ao ofício e foi juntando, junto com o amor pelo que faz, algumas frustrações pelo caminho. Tudo isso vem à tona quando ele larga Macbeth, mas sempre no registro do humor, sem nunca pesar a mão. Selecionar uma imagem Elenco de "Sete Minutos" posa com Antonio Fagundes Ronaldo Gutierrez/Divulgação E é aí que a peça fica interessante: ela não escolhe um culpado. No camarim, com o idoso, a evangélica e o tenente expondo cada um o seu lado, o espectador também ganha voz. Há quem tenha um imprevisto de verdade, como chegar atrasado e perder a entrada, e quem simplesmente se recuse a cumprir as regras e vá arranjando desculpa. Fábio Esposito, no papel do policial, segura boa parte das risadas com timing e comédia física. No fim, o que está em jogo não é a bronca, e sim a vontade de sentir que as pessoas estão presentes ali, juntas, ainda mais num tempo em que tudo passa rápido e se esquece com a mesma velocidade. A montagem reabriu esse texto no mesmo Cultura Artística, reconstruído depois do incêndio que destruiu o teatro em 2008. O endereço tem peso na trajetória de Fagundes: foi ali que funcionou por anos a Companhia Estável de Repertório, que ele fundou em 1982. É também onde ele sustenta um modo próprio de produzir, só com bilheteria, sem leis de incentivo, prática que mantém desde a criação da companhia. Elenco em cena na peça "Sete Minutos" Divulgação Talvez seja essa a graça de Sete Minutos. Defender, rindo, o teatro como um dos poucos lugares onde ainda se entrega o tempo sem pressa, um dos últimos redutos de humanidade num momento em que tudo passa rápido e se esquece na mesma velocidade. Serviço Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo Estreia 21 de maio, quinta, às 20h. Temporada: Até 1º de agosto - Sessões sexta e sábado, às 20h, domingo, às 18h. Não haverá espetáculo nos dias 14/6, 21/6 e 3/7. Ingressos: Pré-venda até 19/5 R$ 100 a R$ 160 (inteira) / de R$ 50 a R$ 80 (meia). A partir de 20/05 R$ 120 a R$ 180 (inteira) / de R$ 60 a R$ 90 (meia). Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

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