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  "textContent": "\n\"Se meu mundo tivesse um som, seria o som desse disco\", disse Loulu Gilberto à Vogue Brasil sobre Loulu Gilberto, seu álbum de estreia, disponível em nas plataformas digitais. Aos 21 anos, filha de João Gilberto com a jornalista Cláudia Faissol, ela assina um trabalho de 13 faixas que percorre samba, samba-canção, jazz, baião e cantigas de ninar como quem organiza a própria memória. Certamente, ela cresceu ouvindo o pai tocar. Às vezes ele a chamava para cantar junto, outras Loulu chegava e perguntava se podia. \"Ele foi me treinando sem treinar, sem dizer que estava treinando. Ensinava uma música, tocava lá mil vezes e falava: 'canta comigo'.\" Só quando começou a estudar canto formalmente é que entendeu o que havia sido depositado nela. \"Essa coisa de brincar com a divisão rítmica, atrasando ou adiantando a melodia. Eu só fui entender o que era isso tecnicamente agora há pouco, mas eu sempre fiz. Aprendi ouvindo ele. Ouvi-lo era uma grande escola de interpretação.\" João também prometia. \"Estou te dando um presente. Você não sabe que é presente, mas é presente.\" Loulu sabe hoje o que aquilo era. \"É minha missão. Passar isso adiante para que as novas gerações conheçam o cancioneiro popular do Brasil. Essas canções fazem parte da nossa identidade nacional. É preciso lembrar.\" E vai além: \"Meu som mexe com a memória inconsciente que formou a identidade cultural de um país. São raízes e pilares muito fortes esses que me erguem como artista. Raízes essas que dão árvores floridas, fortes e bonitas.\" Loulu Gilberto Bob Wolfenson/Divulgação Quando ele partiu, ela parou de cantar. Não havia como fazer diferente. Mas a falta foi ficando grande demais. \"Cantando a gente transcende. Foi a forma que encontrei de estar junto dele.\" Foi então que procurou Cézar Mendes, violonista e compositor baiano que o pai havia apresentado a ela tempos antes. As aulas viraram amizade. \"Cezinha fica em casa, quase não sai, recebendo visitas quase como um oráculo, um guru. Eu certamente o vejo assim. Sou muito grata por tê-lo na minha vida.\" Mendes chamou Mario Adnet para dividir a produção, e o disco começou a existir. O repertório levou um ano para ser fechado e Loulu fez questão de que tudo fosse de acordo com sua identidade. A base são canções aprendidas dentro de casa e outras encontradas em gravações raras do pai no YouTube ou registradas por amigos e familiares. Algumas chegaram de um lugar que ela não sabia que existia. \"Dorme que eu velo por ti\" foi assim. \"Quando ouvi já sabia. Aquilo me era estranhamente familiar. Uma lembrança escondida sob o fino véu do esquecimento.\" A mãe depois confirmou: João cantava essa canção para a filha pequena, emocionado. Loulu Gilberto Bob Wolfenson/Divulgação O disco é coeso, muito embora ofereça variedades. \"É uma grande salada de fruta. Mas tem uma unidade, sim. Há nelas um equilíbrio entre a alegria e a melancolia. São canções que ressoam comigo e com quem sou.\" Abre com \"João\", de Cézar Mendes e Arnaldo Antunes, a faixa que ela diz exigir algo que está constantemente descobrindo em si mesma. \"É uma canção que dimensiona meu pai não só para mim, mas para toda uma nação. Essa letra do Arnaldo Antunes mexeu muito comigo.\" Inclui a inédita \"O Amor Nos Encontrou\", de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, que existia até então apenas numa gravação privada do pai. Passa por \"Manias\", gravada originalmente por Dolores Duran em 1955, por \"Avarandado\" com Tom Veloso, pelos standards \"Tea for Two\" com Daniel Jobim e \"Mr. Sandman\", e termina com \"Cavalo-Marinho\" e \"Bicho Curutú\", cantigas baianas que João entoava para ninar a filha. Não é tão comum que uma pessoa jovem vá buscar suas influências num repertório dos anos 1930 aos 1960, mas Loulu entende que referências são mais enriquecedoras quando vêm da raiz. \"O cancioneiro popular desse tempo não é brincadeira não, bicho. É coisa séria. Os caras tinham inspiração divina, uma qualidade poética incrível. Foram eles que construíram a identidade cultural do Brasil. Eu duvido que em algum outro lugar do mundo exista alguém que escreva canções de amor tão bonitas quanto as de Lupicínio Rodrigues, está pra nascer.\" Mas não fala só do passado. Tem fé na própria geração também. E, modéstia à parte, palavras dela, se inclui nessa.",
  "title": "Loulu Gilberto lança disco de estreia e conta como João Gilberto a formou como cantora sem ela saber"
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