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  "textContent": "\nSim, ninho vazio. Vou escrever sobre a partida dos filhos de casa em pleno dia das mães. E sem um pingo de tristeza. O ninho vazio é o que acontece quando tudo dá certo. É sinônimo de realizações pessoais, no plural. Filho feliz, mãe feliz. O ditado é certeiro. E se é ninho, e se é vazio, é porque teve acolhida, depois voo. É porque ainda existe um espaço-abraço pronto para os filhos pousarem quando quiserem. Talvez por sempre conversar e ler sobre o assunto, estou levando muito bem essa nova fase. Talvez porque o meu ninho esteja parcialmente vazio. O Leo, meu filho mais velho, casou faz pouco tempo. O Xande, meu caçula, leva uma vida autônoma e independente, não para em casa, mas está com a gente, morando comigo e com o meu marido. Os filhos que ficam na casa dos pais ganham a possibilidade de uma nova dinâmica espacial e familiar. As trocas com o meu filho que saiu de casa estão mais intensas e profundas agora, distantes da convivência diária. Não são mais automáticas ou práticas como eram no dia a dia. São resultados de um querer mútuo, de um tempo especial, escolhido, planejado. Há uma profundidade nova. Eu sinto que sou mais escutada e menos julgada. Eu escuto com mais atenção e menos crítica. Depois eu me pego refletindo sobre tudo, sobre o homem que sempre será o meu filho, morando na minha casa ou não. Mãe que sou, passeio, assim, ora pelo orgulho, ora pela preocupação. Não tem jeito. Ele sempre será meu filho e eu a sua mãe, indiferente à configuração habitacional e à nossa geografia. Isso também é muito bom. Respeito foi algo que nunca faltou na minha relação com os meus filhos. Está mais evidente, provavelmente sublinhado por uma certa e, até então, inédita formalidade. Não confunda com frieza. É mais um cortejo. Hoje vivemos entre convites. Adoro ser convidada para encontros, adoro convidar. Cada resposta afirmativa é uma alegria diferente, uma expectativa gostosa. Um plano. As negativas acontecem dos dois lados sem dramas. O sim e o não são tão coexistentes quanto a luz e a sombra. A mãe e seus filhos. A saudade é visita frequente, é verdade. O lado bom: tem sabor de boa nostalgia e não de perda. Curioso... passei a pensar mais em passagens da infância do meu filho depois que ele saiu de casa. Ao mesmo tempo, eu o vejo como o homem adulto que é, e me pego pensando nas conquistas, nos desafios dele. Vou dos 3 anos aos 30 anos dele em segundos dentro de mim. O ninho vazio, a distância física no dia a dia, me faz enxergar o que ele quer ser, o que ele é, sem as minhas expectativas misturadas. Elas estão em mim, guardadas. São só minhas, só compartilho sob consulta. Já o colo é liberado, é explícito, está sempre a disposição. É mais gostoso ainda, sabia? Será por que é mais raro? Creio que sim. \"O ninho vazio é o que acontece quando tudo dá certo\" Adri Coelho Silva Arquivo pessoal O casal de pais, quando casados, idem. Há casais que aproveitam o tempo e o espaço extras para namorar mais, para viajar mais; há os que se distanciam ainda mais com o espaço deixado em casa, até perceber que o fim pode ser o melhor novo começo, ou só como uma triste constatação, ou como uma decisão. Não existe regra, nem certo, nem errado. Nem só tristeza e nem só alegria. E para ninguém. Não sou especialista. A terapeuta e autora belga Esther Perel é. Ela diz o seguinte: “para o casal, o ninho vazio é uma oportunidade para a reinvenção da relação, uma deixa para voltarem a ser mais amantes”. Para mim faz sentido. E para você? Ela também afirma que é como uma prova dos nove. Evidencia se o casal está crescendo junto ou afundando junto, mas cada um a sua maneira. Entre um extremo e outro, é claro, existem muitas opções. O ninho vazio é um para o casal, outro só para a mãe e outro, ainda, só para o filho. Não é o fim de nenhum papel social. Todo mundo continua sendo o que é, com oportunidades de ser mais e ou diferente, nos novos espaços. E repito: é o que acontece quando tudo dá certo. O que vem depois dele é sempre o inédito. Minha dica? Aceite e viva com entrega e inteireza, do jeito que bem quiser. Só fique atenta para não deixar a tristeza ocupar um lugar que sempre foi e será do amor. Vale dizer também que o ninho vazio pode ser passageiro, pode encher novamente, com as visitas dos netos. Cada fase da vida tem suas alegrias e seus desafios. O melhor é viver cada uma sem passar o tempo todo comparando com o passado ou desejando que o futuro venha logo. O presente, com ninho vazio, cheio, ou parcialmente vazio, é sempre o nosso melhor presente.",
  "title": "Dia das mães: o ninho vazio pode ser feliz, e nem tão vazio assim"
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