Por que o capital erótico das mulheres maduras está na moda
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April 30, 2026
Não tem sido apenas uma temporada com mais cabelos grisalhos na passarela. A idade parece que finalmente deixou de entrar nos castings como um simples gesto de diversidade e começou a se firmar como código estético. Na Chanel de Matthieu Blazy, por exemplo, modelos entre 40 e 60 anos desfilam não apenas como musas da maison, mas como símbolo máximo dessa mulher que está no topo da cadeia de consumo das grifes de alto luxo. Na apresentação da coleção cruise 2027, que aconteceu agora, dia 28.4, em Biarritz, Stephanie Cavalli, de 50 anos, Christina Chung, perto dos 60, e Laura Ponte, 52, figuras frequentes nas apresentações de Matthieu, mostraram que o capital erótico da mulher madura está na serenidade, elegância e segurança de quem escolhe por onde quer caminhar. Na temporada outono/inverno 2026 em Paris, a atriz Gillian Anderson, 57, fechou o desfile da Miu Miu, que também contou com Kristen McMenamy, 61, e Chloë Sevigny, 51; enquanto na New York Fashion Week, Carolina Herrera levou para o runway mulheres do universo das artes, como a fotógrafa Ming Smith, aos 79. Sem falar no desfile da Gucci de Demna, em Milão, com Kate Moss, 52, mais sexy do que nunca. Segundo a plataforma Tagwalk, todas as 20 principais marcas da temporada incluíram modelos maduras. Kate Moss Gucci A consultoria WGSN vem tratando a longevidade como uma das forças que devem redefinir o consumo e o comportamento até 2030, num movimento chamado Longevity is the new Luxury (a longevidade é o novo luxo). O envelhecimento passa a ocupar um território de inovação, que vai da beleza ao luxo, da moda ao wellness. E isso, claro, conversa com o fato de que a economia está envelhecendo. Segundo projeções da World Health Organization, até 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 60 anos. No Brasil, o movimento é ainda mais acelerado. O país já tem mais pessoas acima dos 60 do que crianças, e a chamada economia da longevidade movimenta bilhões. Um relatório do UBS, banco de investimento global, de 2025, apontou que o mercado da longevidade deve alcançar a cifra de passar de US$ 8 trilhões em 2030 (em 2023, o valor era de US$ 5,3 trilhões). A moda, como costuma fazer, percebeu isso logo. Gillian Anderson Miu Miu | Paris | Inverno 2026 Launchmetrics Spotlight Em 2025, para celebrar os 40 anos da marca, Donna Karan convocou as supermodelos Claudia Schiffer, Irina Shayk, Liya Kebede, e Mariacarla Boscono, entre os 40 e 55 anos, para sua campanha; na mesma vibe e no mesmo ano, a Zara celebrou 50 anos com um elenco intergeracional, com destaque para Twiggy, 76, Linda Evangelista e Cindy Crawford, 60, e Naomi Campbell, 55. Se há pouco tempo a moda simplesmente desconsiderava a mulher com mais de 50 anos, agora ela passou a entender que é essa faixa etária que vai definir o consumo nos próximos anos. E ela precisa se reconhecer. Não foi por acaso que, recentemente, duas mulheres de 76 anos, Meryl Streep e Anna Wintour, protagonizaram uma capa histórica da Vogue Americana. E as passarelas, sempre obcecadas pela juventude, desenvolveram uma paixão por cabelos grisalhos, peles marcadas pelo tempo e mulheres com presença, e não apenas aparência. Mas não se trata apenas do fenômeno silver money (dinheiro prateado). Esse movimento que cresce continuamente tem mostrado uma mudança estética. Estamos vivendo um tempo em que a beleza está sendo depositada na permanência e no repertório. A mulher madura está na moda. Em todos os sentidos.
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