Alana Cabral sobre a personagem Joélly de "Três Graças": "Mostra que sou capaz"
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April 10, 2026
Protagonizar uma novela das nove ainda é um marco para jovens atrizes negras na televisão brasileira. E Alana Cabral, de 18 anos, sabe exatamente a responsabilidade e a potência desse lugar. No ar em Três Graças como Joélly, uma menina de 15 anos que se torna mãe na adolescência, personagem central ao lado de Sophie Charlotte e Dira Paes, a atriz diz que ocupar esse espaço é motivo de alegria, mas também de reflexão. "Fico muito feliz em construir novos olhares voltados para mulheres negras. Encontrar atores negros nesse posto de protagonismo deveria ser mais comum do que é", diz. "Criar novas narrativas é essencial. Fico honrada em representar mais de 50% do povo brasileiro com destaque na televisão". Nascida em São Paulo, Alana iniciou na vida artística na infância, e estreou na TV na série Assédio, exibida em 2018, na qual viveu a filha da personagem de Jéssica Ellen. No ano seguinte, se mudou para o Rio de Janeiro para sua primeira novela, Verão 90. De lá para cá, atuou ainda nas novelas Nos Tempos do Imperador e Guerreiros do Sol, além de alguns filmes, como o sucesso Salve Rosa, ao lado de Klara Castanho e Karine Teles. Saiba mais Por trás da imagem que o público vê na tela, Alana diz existir uma jovem atriz profundamente curiosa e dedicada ao ofício. A atriz venceu a categoria revelação do prêmio Melhores do Ano, do Domingão com Huck em votação popular. Ela disputou o título com o cantor Belo e Gabriela Loran, seus colegas em Três Graças, além do o rapper L7nnon, que interpretou Ryan em Dona de Mim (2025), e Ricardo Teodoro, o Olavinho do remake de Vale Tudo (2025). O retorno do público tem sido uma das experiências mais emocionantes. "A melhor sensação é estar distraída na rua e ser surpreendida com elogios ao seu trabalho". São as crianças que mais a tocam. “Elas ficam muito felizes quando me veem”, conta. “Acho que são meus fãs favoritos.” Leia o bate-papo na íntegra: Vogue: Você é uma jovem atriz preta no protagonismo da novela das nove. Como você enxerga esse marco pessoal e coletivo dentro da televisão brasileira? Alana Cabral: Sendo uma menina jovem, fico muito feliz em construir novos olhares voltados para mulheres negras. Porém, acredito que isso deveria acontecer há muito tempo, encontrar atores negros nesse posto de protagonismo deveria ser mais comum do que é. Mas criar novas narrativas é essencial, e fico honrada em representar mais de 50% do povo brasileiro com destaque na televisão. Vogue: Existe um momento que você lembra como a virada de chave, em que percebeu que a construção da personagem estava realmente acontecendo? Alana: Foram muitas aulas, muitos trabalhos conquistados e muita tentativa. Sempre gosto de lembrar de tantos “nãos” que nós, atores, recebemos e não desistimos de continuar tentando. Logo no teste, eu me permiti sentir, porque a Joélly é uma personagem muito complexa, cheia de emoções. Estava claro que eu precisava permitir que meu corpo passeasse pelos sentimentos, sem tabu. Vogue: O que mais tem te emocionado no retorno do público? Alana: A melhor sensação é estar distraída na rua e ser surpreendida com elogios ao seu trabalho. As pessoas estão comprando a nossa história, se emocionando e curiosas para o que está vindo aí. O que mais me emociona são as crianças felizes e animadas com a minha presença quando me veem nas ruas, acho que elas são os meus fãs favoritos! Alana Cabral Guilherme Lima / Divulgação Vogue: O que essa personagem te ensinou artística e pessoalmente? Tem algo que você vai levar para a vida quando a novela terminar? Alana: Artisticamente, me ensina a ser constante e dedicada. E, pessoalmente, que eu sou um rio de emoções e que tenho que ouvir as minhas ideias. Mostra que sou capaz. Vogue: O ano passado foi marcante para você. Qual foi seu maior desafio? E qual foi o momento que te deu mais orgulho? Alana: Foi um ano cheio de conquistas e aprendizados. Mergulhar no escuro, vivendo uma protagonista de novela das nove pela primeira vez, com certeza foi um dos maiores desafios. Quando fiz as cenas mais complexas e emocionantes da minha vida, em externas, estúdios, cidade cenográfica, e consegui entregar o meu melhor. Fiz coisas que não imaginava que faria e me orgulhei muito. Vogue: Para você, a moda sempre caminhou junto da arte? Houve alguma referência, pessoa ou fase que despertou seu olhar estético? Alana: Acredito muito que o corpo do artista é um corpo político, no qual ele expressa sentimentos, opiniões e explana seu caráter. Eu sempre gostei de me vestir pensando nos meus gostos e agora entendo que, como artista negra, sou a representatividade de muitas pessoas da minha geração. Sempre gostei de como a atriz Zendaya expressa suas ideias a partir da moda, acho que ela me inspira bastante esteticamente! Alana Cabral Guilherme Lima / Divulgação Vogue: Como sua história com a moda evoluiu ao longo dos anos? O que mudou do início da carreira até agora? Alana: Acho que estou mais interessada em ousar do que antes. A moda é se sentir pertencente à sua própria personalidade; acho que hoje me sinto mais do que nunca. Assim como na vida, temos que construir gostos e personalidade para nossos personagens. Modo de vestir, usar o cabelo, calçar o sapato… Eu acredito em trocar com diretoras de figurino sobre qual foi a visão que elas tiveram do seu personagem e o porquê faz parte dessa construção. Vogue: O que você sente que o público ainda não sabe sobre você, mas que gostaria que soubessem quando te veem na tela? Alana: Acho que o público ainda não sabe que, por trás de tudo o que aparece, dos personagens, dos looks, das entrevistas, existe uma menina extremamente curiosa e dedicada, que leva muito a sério cada processo. Eu estudo muito, observo muito e sou apaixonada por entender o comportamento humano. Nada do que faço é por acaso ou apenas pelo efeito visual: há sempre uma intenção, um cuidado, um estudo por trás. E acho bonito quando as pessoas percebem que, além da imagem, existe uma artista em formação constante, muito comprometida com profundidade, e não só com aparência. Vogue: E daqui em diante o que você espera para sua carreira e para sua vida? Há novos projetos, desejos ou transformações que já começam a se desenhar? Alana: Espero muita prosperidade e sucesso vindos de Três Graças. Ainda estou concentrada na Joélly e tenho meus desejos começando a se aflorar, mas nada que eu possa compartilhar com certeza ainda. Ligia (Dira Paes), Gerluce (Sophie Charlote) e Joélly (Alana Cabral) Globo/ Estevam Avellar Revistas Newsletter
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