External Publication
Visit Post

Oscar 2026: saiba mais sobre as indicadas na categoria de Melhor Figurino

Vogue | Moda, Beleza, Desfiles, Lifestyle e Celebridades [Unoff… February 13, 2026
Source
A corrida pelo Oscar 2026, que acontece em 2 de março, também passa pelos tecidos, pelas modelagens e pelas escolhas que constroem personagens sem uma linha de diálogo. Na categoria de Melhor Figurino, a lista deste ano reúne profissionais com carreiras decisivas no cinema contemporâneo, incluindo vencedoras do prêmio e nomes responsáveis por algumas das imagens mais marcantes das últimas décadas. Ruth E. Carter, vencedora duas vezes por Pantera Negra e Wakanda Forever, retorna com Pecadores. Deborah L. Scott, que levou o Oscar por Titanic, expande Pandora em Avatar: Fogo e Cinzas. Ao lado delas estão Kate Hawley (Frankenstein), Malgosia Turzańska (Hamnet) e Miyako Bellizzi (Marty Supreme), em trabalhos que também devem deixar rastros. A seguir, falamos um pouco mais sobre as figurinistas e os figurinos indicados ao Oscar. Ruth E. Carter — Pecadores Ruth E. Carter Getty Images Pecadores encontra Ruth E. Carter em um registro de precisão absoluta. Ambientado nos anos 1930 no sul dos Estados Unidos, o figurino trabalha silhuetas reais da época, ternos de lã com padronagem houndstooth, camisas de colarinho alto, três-peças marcados, vestidos de algodão estruturado e acessórios que funcionam quase como assinatura pessoal. Smoke (Michael B. Jordan) surge em cortes utilitários e paleta de azuis e cinzas, com flat cap e peças que parecem feitas para o trabalho e para a rua. Stack (também interpretado por Jordan) veste três-peças em tonalidades quentes, um fedora em tom quente que puxa para vinho/terroso e acessórios como prendedor de gravata e corrente de relógio de bolso, construindo um visual que diz mais do que qualquer linha de diálogo. Nada é decorativo, e cada escolha de corte, cor e textura reforça posição social, ambição e atitude dos personagens. Cena de "Pecadores" Divulgação Essa leitura da roupa como linguagem sempre esteve no centro do trabalho de Carter. Indicada cinco vezes ao Oscar, ela venceu duas estatuetas de Melhor Figurino por Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda Forever (2022), tornando-se a primeira mulher negra a ganhar e repetir o prêmio na categoria. Antes disso, já havia sido indicada por Malcolm X e Amistad. Deborah L. Scott — Avatar: Fogo e Cinzas Deborah L. Scott Divulgação Avatar: Fogo e Cinzas expande o universo visual de Pandora a partir de um figurino pensado nos mínimos detalhes, mesmo quando nada dele parece ser físico. Ao lidar com personagens digitais, Deborah L. Scott e sua equipe construíram fisicamente centenas de roupas e adereços antes de transformá-los em CGI, desenhando cada peça à mão e fazendo esboços do jeito tradicional, com lápis e papel, para depois adaptá-los ao pipeline de captura digital. A paleta aqui não é aleatória: cada clã tem seu vocabulário de cor - tons terrosos e quentes para povos mais ligados ao fogo ou à terra, e uma ampla variação de azuis para outras comunidades, criando um mapa visual imediato de pertencimento e contraste entre tribos. Cena de "Avatar: Fogo e Cinzas" Divulgação Os figurinos partem de texturas que remetem à pele, penas, folhas e superfícies naturais, com padronagens e adereços de cabeça que ajudam a diferenciar clãs e territórios dentro de Pandora. Tudo nasce no artesanal antes de ganhar forma digital, escolha que garante peso visual e coerência mesmo em um universo criado por efeitos. Vencedora do Oscar de Melhor Figurino por Titanic (1998), Deborah retorna à franquia trazendo a experiência de uma carreira que passa por E.T. – O Extraterrestre, De Volta para o Futuro e Minority Report. Kate Hawley — Frankenstein Kate Hawley Getty Images Kate Hawley tratou Frankenstein como se estivesse pintando com figurino. Ao invés de repetir o óbvio gótico cinza-preto, ela e Guillermo del Toro decidiram usar cores simbólicas e emotivas, como vermelhos profundos, verdes iridescentes e azuis ricos, para refletir estados internos e ligações temáticas da história. Há um fio vermelho, literalmente, que conecta a mãe de Victor, seus próprios guantes, e o destino de Elizabeth, costurando narrativa e paleta em uma sequência circular quase musical. Esses vermelhos intensos aparecem contra fundos mais neutros para garantir contraste emocional e visual. Cena de "Frankenstein" Divulgação Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é vestida frequentemente em tons de azul e verde profundos, com referências às cores de besouros e insetos que traduzem sua conexão com a natureza e sua presença quase etérea na tela. Para criar essas cores, Hawley e sua equipe imprimiram e teceram tecidos com inspiração em estruturas naturais - padrões que lembram microscópios, asas de insetos e superfície de malachite. A criatura de Jacob Elordi tem um figurino que evolui com ele, começando mais fragmentado e desgastado e ganhando peças mais completas conforme a história se desenvolve, mas sempre ancorado em texturas e cores que dialogam com o ambiente natural e com a própria sensação corporal do personagem. Kate Hawley já é parceira de longa data de del Toro em trabalhou em filmes como A Colina Escarlate e Círculo de Fogo. Malgosia Turzańska - Hamnet Malgosia Turzańska Getty Images Em Hamnet, Malgosia Turzańska toma uma decisão que vai na contramão do figurino de época tradicional: ela se recusa a tornar o passado bonito. O período elisabetano aparece funcional, repetido, usado até o limite. São roupas feitas para durar e sobreviver, não para impressionar a câmera. Linho cru, lã pesada e algodão grosso dominam a cena em uma paleta apagada, como se o tempo já tivesse passado por aqueles corpos antes mesmo da história começar. O gesto mais eloquente do figurino está na insistência. Os personagens vestem as mesmas roupas ao longo do filme, algo historicamente correto e narrativamente afiado. Saias ganham peso, barras se desfazem, mangas cedem. Cena de "Hamnet" Divulgação O figurino acompanha o cansaço, o trabalho diário e o luto sem precisar sublinhar nada. Não chama atenção, mas também não passa despercebido. Ele sustenta a cena. Formada na Academia de Artes Cênicas de Praga e com mestrado pela NYU Tisch, Turzańska construiu uma carreira sólida entre cinema e televisão, com trabalhos que privilegiam observação e rigor histórico, como em Stranger Things, onde ajudou a definir uma era sem caricatura. Hamnet marca sua primeira indicação ao Oscar. Miyako Bellizzi — Marty Supreme Miyako Bellizzi Divulgação Em Marty Supreme, Miyako Bellizzi transforma o figurino em ferramenta de auto-invenção. Ambientado na Nova York de 1952, o filme acompanha um vendedor de sapatos do Lower East Side que se veste não como é, mas como quer ser. Bellizzi ancora o figurino masculino em códigos reais do pós-guerra: ternos amplos, calças de cintura alta, ombros estruturados e camisas de corte solto, inspirados na alfaiataria usada por gângsteres judeus da época, onde quantidade de tecido era sinônimo de poder. A progressão do protagonista acontece em detalhes quase invisíveis: o caimento melhora, os tecidos ganham peso, os acessórios passam a ser usados com mais intenção. Nada muda de uma hora para outra. Tudo sobre os figurinos de "Marty Supreme" Divulgação O figurino acompanha a ascensão social passo a passo, com precisão histórica e leitura psicológica. No longa, sua primeira indicação ao Oscar, o figurino evita nostalgia e espetáculo fácil para apostar em roupas que parecem usadas, vividas e escolhidas para circular pela cidade. Com formação em moda e trajetória que transita entre cinema autoral e grandes produções, Bellizzi construiu sua assinatura em colaborações com Josh Safdie em Good Time e Joias Brutas, além de trabalhos como Cenas de um Casamento, Bonjour Tristesse e A História do Som. Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...